sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Rémedio caseiro - poaia, ipecacaunha, papaconha.



Isso não é uma receita. Isso é uma experiência de vida.
Em 1963 minha irmã contraiu ameba (pelo menos era o que diziam, ameba no sangue). Tinha 3 anos. Seu aspecto era de uma mulher bem magra e com a barriga bem grande, semelhante a uma mulher grávida. Vivia triste, sem forças para brincar. Ao defecar suas fezes alcançava grande distancia devido a pressão interna e tinha mau cheiro. Era uma diarreia constante. Um sofrimento.

Meu pai gastou com médicos e farmácias um bom dinheiro, sem sucesso.

Em outubro de 1963 mudamos de Rialma para Santa Tereza de Goiás no médio norte goiano. Enquanto nos ajeitava as coisas, uma senhora recomendou meu pai não ir porque a menina não suportaria a viagem. Em resposta meu pai disse que, onde ela morresse ali a enterraria pois não não havia esperança. E lá fomos nos de mudança no dia 13, um domingo.

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Lá em Santa Tereza fomos morar na Fazenda Machado, de propriedade do filho de um amigo de meu pai. Havia para nós um rancho de pau-a-pique coberto de palha de piaçava. Quatro dias depois as vizinhas foram nos visitar e uma delas quando viu minha irmã clamou: Santo Deus!!! essa menina tem malina (malina é toda doença grave). Porque voces não cuidam dela? Indagou ela à minha mãe. Minha mãe em resposta mostrou uma tábua que servia de prateleira cheia de remédios. A mulher disse que o rémedio não eram aqueles. Mas que estava ali, encostado no rancho. Levou minha minha mãe a uns 30 metros do rancho e mostrou - essa é a poainha e essa é a tiborninha. A tiborna que ela nos mostrou era um raminho e não esse arbusto que hoje se diz ser a tiborna. Ai ela ministrou: voce faz um chá com as raizes das duas, adoça com mel de jataí e da pra ela (quantas vezes não me lembro). Também faz chá de pé-de-perdiz e da pra ela. E seu banho será em água de ferro-quina. Meu pai perguntou se mel de outra abelha não servia e ela respondeu que não. Disse que meu pai além do mel tinha que tirar a cascara do ferro-quina, ferver em um tacho, e dar banho na minha irmã com aquela água. A ferro-quina era uma árvore. Minha mãe parece que demostrou descrença e a senhora disse que iria fazer uma "garrafada" e se desse resultado que minha mãe continuasse o tratamento.



Apos 20/30 dias minha irmã começou a movimentar, a ter alegria, sua barriga começou a diminuir, pegou cor e com dois meses ja corria acompanhando as brincadeiras da molecada. Todos os dias chá de poaia e tiborna, mais chá de pé-de-perdiz e banho na calda de ferro-quina. Em março de 1964 meu pai falece na roça. Apos o almoço ele foi tocar uns porcos do vizinho, marido da mulher que ensinou o remédio, e parece que ele teve uma congestão ou ataque cardiaco fulminante. Minha mãe encontrou ele uns 20 minutos depois.

Bem, voltamos no mes seguinte para Rialma, e lá, minha irmã teve uma recaida. Fomos pela BR 153 em diração ao sul, e, a esquerda do Posto Naves onde havia um capão de cerrado, e lá, felizmente, encontramos as duas plantas. Retiramos o bastante, e com essa leva, ela sarou em definitivo.

Hoje a ipecacuanha, a mesma poainha, é pesquizada pela Embrapa e vale a pena ir no site (www.cpatu.embrapa.br/publicacoes.../PublicacaoArquivo - Similares); e é tida como remédio para tratamento da ameba. Na internet e em livros é recomendada para tratamento de diversas doenças.

Taí; o que a medicina não logrou exito, uma analfabeta teve sucesso. Viva os remédios caseiros.
O interessante é que os médicos não receitam ( e nem podem!) esses tratamentos, mas o que admiro é que procuram ignora-los. Deveriam fazer pesquisas. Retornei em 1984 em Santa Tereza de Goiás, procurei um raizeiro famoso da região e ele me mostrou uma tiborna diferente, um arbusto de um metro. Quanto a poaia disse não conhecer. Em 2004 encontrei a poaia na Bahia, em Barreiras com o nome de papaconha. Comprei uns moios porque tenho uma ameba (endolimax nana) não agressiva. Fiz o chá, mas ainda não realizei exames.
O aspecto da poaia era de um ramo de um palmo de altura bem como a tiborna, que também era uma planta rasteira. O pé-de-perdiz é muito conhecido por ser um ramo de coloração vermelha, muito vendido nas lojas de raizeiros. E o quina ou ferro-quina era uma árvore de uns 2 a 5 metros.
Porque esse relato? Para que os laboratórios pesquisem. Sucesso!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Minha Familia: Bragança e Ferreira

Sou Janes José Bragança, nascido a 17 de setembro de 1950, no municipio de Ceres-Go, no local chamado "Corrego de Pedra" e que hoje faz parte do municipio de Ipiranga de Goiás. Sou o primogenito e tenho 5 irmãos: Jonas José Bragança, Darci Ferreira, Jaime José Bragança, Lauraci Ferreira e Neuraci Ferreira.

Meus pais:
Antonio José Bragança filho de José Francisco Bragança com Catarina Antônia de Jesus, filho de Francisco Pereira Bragança com Carminda Cândida de Jesus, filho de José Pereira Bragança com Catarina Francisca da Conceição.
Marieta Ferreira filha de Salvino Vicente Ferreira com Maria Ferreira de São José, filho de José Vicente Ferreira com Ana Pereira da Silva.
Minha avó Maria de São José era filha de João Ferreira Sobrinho com Francisca Rosa do Nascimento.


Meus pais e ascendentes eram agricultores da região de Campos Altos-MG, portanto pobres, bem como nenhum de meus irmãos tem curso superior. Dos primos poucos conseguiram entrar na faculdade. Nenhum conseguiu patrimônio considerável.
Meu avô paterno teve 15 filhos e o materno 7. Sempre fomos mais achegados aos primos maternos.


Dizem que o sobrenome que carrego demostra que venho de uma familia nobre. Mas segundo minhas pesquisas isso não procede. Por exemplo, meu trisavô era dos arredores de Campos Altos, tinha umas terras e, dizem, chegou a possuir 60 escravos. Portanto rico para a época! Um pesquisador disse-me que venho de familia nobre, so que da India, mais precisamente de Gôa. Ocorre que meus tios paternos e maternos tem a pele branca, tipo europeia, e os indianos tem a pele cor de canela.


Meus primos por parte de pai espalharam por esse Brasil e até no exterior. Tenho procurado aproximação (e informação sobre o passado) sem muito sucesso.