terça-feira, 20 de outubro de 2009

A Bíblia, Israel e a Igreja

Tem-se criado muita polemica sobre a autoridade da Bíblia como revelaçao de Deus, o Todo-poderoso. Alguns argumentam que o Livro foi escrevido por homens, portanto, escreviam o que queriam.
Pois tenho uma idéia muito simples, porém realista a respeito da autenticidade das Sagradas Escrituras como revelaçao do Criador. Aceito pela fé e pela razão as verdades escritas na Bíblia. Creio na Bíblia como a Palavra de Deus por dois motivos:
Veja bem, a Bíblia fala de um povo - Israel - escolhido por Deus para servir de testemunho as nações. Deus deu sua palavra de proteger esse povo, apesar de sua costumaz rebeldia. Israel vive rodeados de inimigos, recheados de inimigos! Inimigos dentro e fora de seu território. Mas, são milagrosamente preservados. Vencem não so os inimigos, mas vão rompendo as barreiras economicas, vencendo guerras,etc.
Mas a Bíblia fala de outro povo - a Igreja - separada por Deus para servir também de testemunho a toda a terra. Igual Israel, a Igreja é rodeadas de inimigos! Tem inimigos dentro e fora da Igreja. Dentro são os hipócritas (muito mais do podemos imaginar); fora, os ímpios de uma maneira geral. Mas Deus se não guardasse a Igreja há muito ela teria desaparecido. Da mesma maneira como faz (Rm 11:29) com Israel. Ambos são odiados pelos homens e por Satanás.
Portanto, a Bíblia, pela fé e pela razão é a Palavra de Deus com toda certeza!

Família Vicente Ferreira e Rialma

Relato do Pioneirismo dos Vicente Ferreira em Rialma

Em 1948 vieram para Goiás, procedentes de Campos Altos – Mg, os Vicente Ferreira. Eram as famílias do Sr. Odilon Vicente Ferreira, João Vicente Ferreira e seu cunhado Antonio José Bragança. Todos atraídos pela distribuição de terras na Colônia Agrícola de Ceres. Foram morar no Córrego de Pedra, bem encostado em Bom Jesus (Barreto).
O Sr. Odilon não ficou por lá muito tempo, e veio para Ceres, talvez em 1952. Depois, em 1955, mudou para Rialma se estabelecendo como comerciante na Av. Federal (depois Av. Bernardo Sayão) quase frente a frente com a casa do Sr. Pedro Marçal, famoso delegado da cidade de Rialma. Nesse local, o Sr. Odilon criou sua família, sendo que o filho mais velho foi operador no Cine Teatro Brasil por muitos anos. Ainda nesse local ele, o Sr. Odilon, trabalhou como cearelista, comprando, transportando e vendendo arroz, feijão, etc; e assim chegou a comprar um caminhão “chevrolet brasil” zerinho, para transportar suas mercadorias com mais facilidade e agilidade. Montou um atacado e varejo de secos e molhados que em meados de 1960 deve ter sido o maior de Rialma. Vendia até sapatos e botinas. Seu estabelecimento ficava ao lado, onde futuramente, seria propriedade industrial do Sr. Antonio Cano Cano. Odilon Ferreira foi homem influente e dinâmico, austero com a família e tinha muita disposição para servir a comunidade rialmense. Sempre estava atento. Ele disputou por três vezes o cargo de vereador, sendo suplente na primeira e eleito nas outras duas. No entanto, na terceira foi destituído do cargo por... dizem, ter ficado com a chave da “Câmara” que funcionava em cima da cadeia, e que se recusava a abri-la; ou por ter se negado a pagar a cota de asfalto! Não sabemos ao certo. O certo é que teve sua influencia registrada. Em meados de 1964 ele mudou de ramo. Vendeu seu ponto comercial, alugou suas dependências e passou a viver de pequenos negócios, politica e carteado (jogo). E em 1972 mudou para Anápolis onde veio a falecer em julho de 1999.



Título que comprova o pioneirismo do Sr. Odilon Vicente Ferreira na cidade de Rialma.
















Foto de Odilon Vicente Ferreira quando era vereador









Rascunho de projeto do Sr. Odilon, quando era vereador


Outro pioneiro foi o Sr. José Jorge Vicente Ferreira, irmão do Sr. Odilon. Só que ele veio com a família em 1957 direto para Rialma. Foi lavrador na região de Castrinopolis e Cavalo Queimado. Comprava e vendia cereais, e tinha um deposito de arroz grande para a época. Depois passou a comercializar lenha. Isso mesmo – lenha. Naquela época não havia fogões a gás. Só fogões “caipiras” que funcionavam a lenha. O Sr. José Jorge vendeu lenha por muito tempo e a partir de 62 começaram a chegar os fogões a gás. Seu deposito e residência ficava na mesma esquina da casa do Sr. Frutuoso. Mas o que notabilizou o Sr. José Jorge, que além de lavrador, comerciante de lenha, açougueiro, também foi um relevante cambista. Vendia bilhetes de loteria da LEG (Loteria do Estado de Goiás) e da “federal”, ou seja, do Governo Federal (Caixa Econômica Federal). Isso de porta em porta. Nesta época só havia estas loterias. Entre 1965 e 1966, seu filho, Osmário, que seguia a profissão do pai, vendeu para o Sr. Zé Manco o bilhete premiado. Talvez o único 1º prêmio vendido no vale do São Patrício. Zé Manco era um Sr. pobre, negro, que tinha a perna direita encolhida. Não tinha condições de toca-la no chão, por isso andava de muletas. Vendia laranjas, cujo carrinho era empurrado pelo seu filho que era deficiente – não falava e era retardado, mas andava e obedecia. Com o prêmio o Sr. Zé Manco mudou seu padrão de vida. Sua casa era cheia de “amigos”, mulheres de vida fácil. Comprou uma casa bangalô, um Jeep (devia pagar motorista) e nesse ritmo em cerca de três anos... voltou a vender laranjas! O vendedor do bilhete premiado ganhou do Zé “Manco” uma bicicleta monark.
O Sr. Jose Jorge faleceu no dia 09 de março de 1978 em Rialma, onde está sepultado, praticamente ao lado dasepultura do "Mundico".











Foto de José Jorge.










Foto de Maria das Graças Ferreira (filha do Sr. José Jorge) e o prof. Jaci em 30/11/64







Existem ainda duas pioneiras de Rialma que ainda estão vivas: a dona Maria José de Jesus ( Dona Fiuca), viúva de José Jorge, a Dona Caetana Higina do Amaral. A terceira (Dona América Vieira de Oliveira), faleceu no início deste ano de 2009.
Digno de nota é a fábrica de carroças em Rialma, que era do Sr. Machadinha na virada dos anos 60. Lembrar que as carroças eram fundamental no transporte de materiais naquela época. De pessoas eram as charretes. Havia os pontos de charretes. Da estação rodoviária de Ceres havia umas 10! O Sr. Machadinha era casado com a Dona “Santinha” e eram protestantes. Outra pessoa que era muito popular em Rialma era o Sr. Benedito Sem-almoço. Simpático pedreiro que levantou muitas das casas da década de 60.
Uma palavra sobre o Nana. Era meu vizinho e na noite de seu falecimento eu o encontrei no bar do Sr. Raul entre 23 horas e meia-noite. Nos estavamos num culto de vigília na Igreja Presbiteriana e num intervalo fomos ao bar tomar um guaraná. Lá encontramos o Nana. Ele tinha um lança perfume. Ele lançava o perfume num lenço e aspirava. Eu e todos que estavam ali cheiramos. Confesso que não fiquei “doidão”, talvez por ser pouco. Fiquei sobremaneira surpreso com a notícia de sua morte pela manhã do dia 1º de janeiro de 1967. Não acreditei e corri à sua residência. Infelizmente era verdade! Ele tinha falecido. Era muito querido, de muitos amigos, e um deles, o Manoel de Oliveira, dono da estação rodoviária de Rialma, me pediu para ficar na rodoviária para que ele fosse ao velório e sepultamento do amigo. Minha mãe disse que foi tirada uma foto em frente à Igreja Católica com os amigos ao lado do caixão. Talvez o Manuel ainda tenha a foto. Depois o pai do Nana fez uma investigação sobre os motivos de sua morte. Inclusive, penso, que foi feita uma autopsia um mês depois, mas cujos resultados não foram profícuos. Sua morte continua até hoje um mistério. Seus irmãos tinham dotes artísticos. Um deles era o Antenor Monturil, que sempre cantava após a apresentação de adolescentes no palco do cinema num programa da Rádio Alvorada de Rialma.




Foto do Antenor Monturil com a Irani que foi oferecida à minha tia Cornelia, irmã do Sr. Odilon e do José Jorge. A Cornelia era muito querida da dona Iracema, esposa do Sr. Antonio Cano Cano e irmã da Irani. Ela, a Dona Cornélia, trabalhava para eles.




Meu nome: Janes José Bragança
Rua Uirapuru Qd 6 Lt 16 – Parque Amazonas
74840-170 – Goiânia – Go
janesjose@hotmail.com

janes.jb@celg.com.br

Ah! Não posso deixar passar; a dona Ivanilde foi professora de meu irmão e de minha irmã. Ela era uma das moças mais bonita e elegante de Rialma.


Minha visão de Rialma nos anos 60:

Foi no outono de 1959 quando meu pai mudou-se para Rialma. Estava com nove anos e tudo era novidade. Eu que sempre fora criado na roça, mais propriamente na fazenda do Sr. Raimundo Souza: o fundador da cidade de Ipiranga, mais conhecida por “Quiabo Assado”.
Naquele tempo me deleitava em ir as barracas de quermesse que a igreja católica promovia. Nos morávamos bem em frente à igreja. De casa nos podíamos, se não fosse o desnível, ver o padre José Chaves celebrar a missa. Íamos as barracas pela manhã e pela noite. A noite para circular, ver o tráfego do “correio elegante” que era o sistema de “torpedo” da época. Garotas devidamente autorizadas levavam e traziam bilhetes de rapazes, moças, simpatizantes às pessoas que gostavam. Pagava-se uma pequena taxa por esse serviço que ia para o caixa da igreja. Também ficávamos ali esperando que um arrematador de prendas nos desse um pedaço de bolo ou carne. E como era divertido. Pela manhã nos íamos de novo nas barracas procurar dinheiro que caiam dos bolsos dos freqüentadores e não há de ver que nois achava uns troquinhos!
O rio... O rio das Almas: que maravilha! Nadávamos em meios aos perigos que nos por inocência ignorávamos. O peixe-elétrico que vitimou tanta gente, as pedras traiçoeiras, e os sucuris que não nos atacavam mas... dava um susto danado (naquele tempo ainda não existia ”adrenalina!!!”). Que vidão aquela! Subindo e descendo o rio. Pulando das árvores na água, enfrentando as corredeiras, remando ou varejando uma canoa Nadando no “banheiro das putas” e correndo da “puliça”. Pra não falar das matines, dos parques, dos circos, das peladas, das raias (pipas), dos jogos de pião, finca, piorra, etc. Como não havia serviço de água encanada na cidade e as cisternas eram fundas, cerca de 20 m de fundura, e poucos possuíam bombas (rymer) o rio era o lugar onde as mulheres lavavam roupas. Uma ou duas vezes por semana desciam as mulheres com os baldes e bacias rumo ao rio. E nois atrás! Era animado. Era gostoso. Éramos como heróis dominando aquelas águas bravas. Nos nos exibíamos para as garotas. Era nadando, era remando uma canoa, era mergulhando.
Dava prazer ver o sr Edmar Rezende em cima daquela pratola limpando a cidade, Sempre sorridente, dando as ordens ao “pratoleiro”. Nossa vida girava em torno dos estudos, jogo de pião, soltar pipa (raia), brincar de pique, e... as brigas! Infelizmente quase sempre apanhava. Mas nosso xodó mesmo era o rio. Apanhamos de nossos pais por causa desse rio. Era bom demais! Demais mesmo!
O Grupo Escolar “Câmara Filho”. As professoras: Dona Maria Anita, Dona Iracema Noronha, Dona Carmem, Dona Acirema, Dona Fátima Matão, etc. Tudo isso era felicidade.
Também não posso deixar passar: o asfalto de Rialma... ela foi a 1ª cidade do Vale do São Patrício a ser asfaltada. Isso nos encheu de orgulho... sobre Ceres. Claro, porque não? Não havia brigas entre as duas cidades, mas uma harmonia muito grande. Rivalidade? Só nos jogos escolares e nas chacotas ingênuas, como : íamos colocar uma torneira na ponte para os ceresinos lavar os pés (lembrando que nos tínhamos asfalto eles não!) tudo sem brigas. Era prefeito o Sr. José Pedro Rego (MDB), homem muito corajoso e intrépido. A Rádio Alvorada foi a 2ª emissora da região, a primeira foi a rádio Cultura de Ceres, que nos por despeito a chamava de “Rádio Fubá de Ceres”. Sobre o Colégio Álvaro de Melo – entra sadio e sai amarelo. Sobre o Colégio Imaculada Conceição – entra burru e sai ladrão. Eram nossas brincadeiras. Assim foi nossa infância.